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Sofia Margarida

Vem descobrir. Vem partilhar. Vem conhecer um mundo que é só meu...

O pesadelo das Urgências...

Era uma noite como todas as outras. De domingo. Jantei uma sopinha, arrumei a cozinha e fui ver uns episódios da série que estava a acompanhar. Passado umas boas horas, fui-me deitar e tudo passou a ser diferente. Comecei a sentir umas dores abdominais, fortes, parecia que nem conseguia mexer-me nem respirar. Fui lentamente até a sala pedir ajuda, porque não me estava a sentir bem. Lá fui devagarinho agarrada ao pescoço dele até ao carro para seguir para o hospital. A distância entre a minha casa e o hospital é de mais ou menos 5 minutos, mas pareceram-me horas, já não aguenta, até me faltava o ar. Entrei no hospital, quase arrastada a pedir ajuda e nada. Deram os meus dados e fiquei à espera de ser chamada para a triagem. Apoiada nas pessoas para me movimentar e não cair, ninguém nas Urgências prestou qualquer auxilio, apenas o segurança que quando apareceu me foi buscar uma cadeira de rodas e uma maca para eu ver onde estava melhor. Quase 25min depois ( quem me mandou aparecer na troca de turnos , hein?!) fui chamada para a triagem. Fui atendida por uma senhora "super simpática" que ao ver-me aflita, quase sem falar, contorcida de dores, cheia de suores e a chorar imenso porque eram insuportáveis as dores, me perguntou:

 

- Se tem dores porque não ficou em casa e tomou um ben-u-ron?

 

Fiquei perplexa. A minha resposta foi apenas de gozo - não tinha ben-u-rons em casa! 

 

Entrei para as urgências, para uma salinha cheia de gente. Estive uma hora e meia, mais coisa menos coisa para me chamarem. Não digo que foi a hora pior da minha vida que ainda sou nova, mas jurei que não ia mesmo aguentar, chorava, tinha pontadas tão fortes que quase paravam a respiração e mais uma vez, passaram por mim imensos enfermeiros/ auxiliares e nem sequer uma palavra ou preocupação demonstravam. A única pessoa que olhava para mim e me perguntava se precisava de algo era o segurança. 

Fui chamada, fiz analises de urina e ao sangue e fui colocada a soro com paracetamol. As horas foram passando, os frascos também, ... quatro no total. Pedi várias vezes uma cama ou uma maca para me deitar que não aguentava as dores sentada, e a resposta foi sempre que não havia macas disponíveis.Mais umas horas e está na hora de ir para o Rx ! Mais uma vez, eu não tinha nada que ir para as urgências de noite, porque não fazem ecografia, tens de te desenrascar com um Rx. 

Rx não foi claro, por isso, 5 horas depois de entrar foi-me dada alta com o seguinte diagnóstico :

- Não tem nada que se veja. Vá amanhã ao médico de família pedir um ecografia aos rins. E leva o resultado das análises feitas aqui.

 

Só?? Eu ia ficando parva com este diagnóstico. Mas não podia fazer mais nada. Fui me embora, sem dor mas com um medo enorme. 

 

Lá fui eu ao centro de saúde, a médica de família estava de férias, grande sorte!!  Lá tive de ir à consulta aberta. O sr Médico muito simpático, viu as análises mas nem olhou para mim. Passou a eco e adeus. 

 

Decidi ir à médica onde costumo ir ( privado ) , com o resultado da ecografia e as análises feitas no hospital. E qual não é o meu espanto que ela me diz que tive uma cólica biliar gravíssima, facilmente detectada nas análises do hospital uma vez que haviam valores 5 vezes superiores aos normais ( não me consigo recordar dos nomes). E não eram valores da função renal. Que era uma vergonha colegas não saberem ler as análises e dar diagnósticos.

 

Lá vou eu fazer novamente ecografia , mas desta vez ao fígado, vesícula, pâncreas....

 

E finalmente um diagnóstico: muitos cálculos biliares, lama biliar e que durante a cólica foi uma sorte os cálculos não terem entupido os canais e ter consequências ainda mais graves. Saindo com a indicação de que tenho de ir a uma consulta de cirurgia ao hospital. 

 

E é esta a vergonha do nosso hospital público!! E agora fica o medo de voltar lá, de ser operada lá... tudo! E ainda me pedem para confiar em quem não sabe tomar conta de pessoas!? A quem parece que devemos a nossa vida...!? O importante não devia ser ter boas notas para entrar em Medicina, mas sim ter coração, ter vontade de ajudar os outros... porque aquilo que tenho visto nas Urgências nos últimos tempos são médicos a tratar pessoas como se de objectos se tratassem, com ou sem conserto. 

 

(desculpem o texto longo, mas estou tão revoltada e triste que tinha de desabafar)

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Sofia Margarida nasci em Castelo Branco. Contabilista Certificada formada em Contabilidade e Gestão Financeira, mas toda a vida apaixonada pelas artes, manuais principalmente.

            


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